Letras românticas, vozes agudas, geralmente cantadas em duetos, violas de oito ou dez cordas, grandes mestres do violão, chapéu, botas e cinto de fivela. Essas são algumas das características dos artistas desse gênero musical, creio que você já deve ter descoberto de qual gênero musical estamos nos referindo. Se você respondeu sertanejo, você acertou!

Hoje é bem comum sintonizar em qualquer rádio e ouvir refrãos do tipo: “não finja que eu não estou falando com você” ou “ainda não me chame de meu nego, ainda não me chame de bebê” isso se deve a popularização da música sertaneja, porém, para chegar nos topos das paradas e lotar shows com frequência, esse gênero teve um começo. Vamos viajar no tempo e descobrir como surgiu e se desenvolveu esse fenômeno chamado, sertanejo.

O início

Em meados do século XX, tivemos a primeira composição de fato, intitulada ” causos” de autoria de Cornélio Pires, nessa época, ainda não se tinha o nome de sertanejo, a sociedade conhecia como música caipira, pois falava de temas como a vida no interior, trabalho na roça, vida simples, contemplação das paisagens.

Cornélio Pires - Pai da música sertaneja

Vemos um exemplo claro disso na música “Riozinho” da dupla Lourenço e Lourival, e na música “Deus e eu no sertão” da dupla Victor e Leo, são músicas de diferentes épocas, mas com temas semelhantes. Com o tempo foram surgindo novos artistas, Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, Alvarenga e Ranchinho, entre outros, que começaram a se destacar com suas composições.

Com o fim da segunda grande guerra, surgiram artistas que fincaram ainda mais esse estilo musical. Isso foi potencializado com o surgimento da tradicional Festa do Peão de Barretos, que mais tarde vem a ser o palco dos grandes artistas da época e até hoje. Artistas como: Milionário e José Rico, Tião Carreiro, José Fortuna, entre outros, foram destaques, a partir desse momento músicas com mais instrumentos e temas mais românticos começavam a aparecer.

Festa do peão de barretos

O romance à flor da pele

Eis que chegamos em uma era de ouro, a era romântica para a música sertaneja, fora do país, tínhamos os filmes de faroeste, country music, aqui tínhamos Renato Teixeira, Sergio Reis, Trio Parada Dura, Matogrosso e Mathias e a mais nova sensação: Chitãozinho e Xororó. Hinos como: fio de cabelo, apartamento 37, entre outros, são cantados até hoje.

Mais tarde nos anos 80 surgiram nomes que embalaram as paradas, Leandro e Leonardo, Chrystian e Ralf, Gian e Giovani, Rick e Renner, eram os destaques. Chegamos nos anos 90, e com ela uma década repleta de sucessos nas duplas como: João Paulo e Daniel, Zezé de Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, Bruno e Marrone, sendo esta última um maior sucesso no começo dos anos 2000. Entre tapas e beijos, pense em mim, é o amor, você vai ver, eu não faço amor por fazer, estou apaixonado. Todos esses eram os hits dessa época.

Sertanejo com uma nova roupagem

Com a virada do milênio, veio também um novo formato de música sertaneja, que mesclava pop, rock e até um pouco do funk carioca. Nasce então, o sertanejo universitário, e que até hoje esse permanece em alta nas festas e shows.

Artistas como: Guilherme e Santiago, Maria Cecília e Rodolfo, João Bosco e Vinícius, César Menotti e Fabiano, Jorge e Mateus, Victor e Leo, Marília Mendonça, Henrique e Juliano, Simone e Simaria, Gusttavo Lima, Luan Santana, Michel Teló, Maiara&Maraisa, Marcos e Belutti, Matheus e Kauan, Henrique e Diego, Naiara Azevedo, Munhoz & Mariano, entre muitos outros que poderiam ser citados que são os grandes destaques dessa nova cara do sertanejo.

O sertanejo é um gênero musical incrível e, por mais que o tempo se passe ele se perpetua nos corações dos brasileiros que gostam de uma boa moda de viola e letras envolventes.